sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Escritor critica modelo de internet com conteúdo gerado pelos usuários

O escritor Andrew Keen e o jornalista Caio Túlio Costa participaram nesta sexta-feira (11) de um debate no Café Literário na 14ª edição da Bienal do Livro Rio de Janeiro. O tema da conversa foi "Banalização da cultura na era da rede global". Keen, autor do livro "O culto ao amador", em que critica a chamada web 2.0, acredita que sites com conteúdo gerado pelos usuários não são tão confiáveis quanto a mídia tradicional. Ele citou um exemplo de Milton Friedman, que conheceu uma mulher que não tinha votado no candidato democrata Al Gore nas eleições nos EUA em 2000, alegando ser ele judeu. Intrigado com o argumento (Gore não é judeu), ele perguntou onde ela teria "descoberto isso" e a resposta dela foi: "Eu li na internet". Para Keen, é por situações como essa que ainda é importante a figura do mediador vindos da mídia tradicional. "São eles que conseguem separar e checar informações, estão treinados para isso. Eles devem ser tão profissionais quanto um médico ou um piloto de avião em que confiamos." Costa, autor de "Ética, jornalismo e nova mídia", concorda com o inglês, dizendo que Keen "é um exemplar típico do intelectual atônito com o que está acontecendo". Keen defendeu também que os usuários devem aprender a ler criticamente o material encontrado na internet. "Nos EUA as pessoas têm preguiça, esperam tudo mastigado. E chegar a informações confiáveis na internet dá trabalho. A parte tecnológica é fácil de aprender, mas agora elas têm que aprender a ler criticamente". Perto do final do debate, uma questão de Costa inflama uma discussão. O jornalista compara o modelo tradicional da TV aberta ao Google, que conseguiu ser bem sucedido vendendo anúncios na internet. Keen discordou. Para ele, "o Google 'comodificou' os anúncios na internet. Isso baixou dramaticamente o valor deles, e ninguém mais consegue ganhar dinheiro com anúncios, e por isso, não podem produzir conteúdo. Isso não é problema para o Google, que não paga pelo conteúdo que disponibiliza”.
Opinião:
Existem sites e sites, assim como escritores e escritores. Criticar a web 2.0 pelo simples fato de ela ser o maior espaço democrático que se tem notícia é um tanto quanto tosco. A liberdade de se expressar que a internet proporciona por si só se auto-regula. Quem diz, faz e mostra bons ou maus conteúdos esta se submetendo ao crivo da
blogosfera e como tal sujeito a ‘chuvas e trovoadas’. O blog que não for sério naquilo que veicula esta fadado ao descrédito. O crescimento significativo que hoje nos proporciona mais de 1000 acessos diários, fica por conta de mostrarmos sempre nossas fontes. Praticamente 100 por cento de nossos posts são linkados com suas origens. A verdade é que muitos grupos enriqueceram de forma assustadora vendendo informações. Muitos deles se outorgaram os donos da verdade e manipularam opiniões, elegeram e depuseram governos sem contar com o que abocanharam de verbas públicas. As últimas eleições americanas foram desequilibradas pela internet. Burro foi quem votou no achômetro ou se deixou levar pela primeira coisa que leu. Mas e antes? Não era bem pior? Não era só o famoso: “Deu no Jornal nacional”, ou saiu no “Estadão”, e por aí a fora.

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