Arquiteto projeta muro para conter expansão do deserto do Saara
Um projeto para a construção de uma barreira de 6 mil quilômetros através do deserto do Saara, norte da África, que visa tentar conter a desertificação de terras vizinhas, foi apresentado pelo arquiteto sueco Magnus Larsson numa conferência na sexta-feira em Oxford, Grã-Bretanha. A barreira seria formada por dunas solidificadas de areia e se estenderia da Mauritânia, no oeste da África, até o Djibuti, no leste. A areia seria estabilizada pela adição em larga escala de bactérias que podem tornar solidificar a massa em poucas horas, endurecendo-a como se fosse concreto. "Minha proposta ao problema da desertificação é um muro de arenito, feito de areia solidificada", afirmou Larsson, que se descreve como um arquiteto de dunas. Países do norte da África já apresentaram um plano de plantar árvores para formar o que chamaram de Grande Cinturão Verde para evitar que a areia do deserto se expanda. A proposta do arquiteto seria um complemento e não uma substituição à proposta do plantio de árvores. "Forneceria o suporte físico para as árvores", disse o arquiteto. E, o mais importante, segundo Larsson, poderia ser mantida no local mesmo se as árvores fossem cortadas. "As pessoas destes países são tão pobres que elas cortam as árvores para fazer lenha", acrescentou. Em 2007 um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a desertificação é o grande desafio dos tempos atuais, o fenômeno ameaça potencialmente um terço da população da Terra, cerca de 2 bilhões de pessoas. A ONU teme que a expansão dos desertos obrigue populações inteiras a se retirarem de cidades e, segundo Larsson, o problema da desertificação atinge cerca de 140 países. Em Oxford, Larsson mostrou o exemplo de um vilarejo chamado Gidan-Kara, na Nigéria, que teve que ser removido por conta do avanço das dunas. Ele afirmou que este é apenas um de muitos exemplos encontrados na região. A muralha seria construída com o "congelamento" das dunas de areia do deserto que se movem com o vento transformando-a em arenito. Os grãos de areia seriam unidos com o uso de uma bactéria chamada Bacillus pasteurii, encontrada em terras úmidas. "É um micro-organismo que produz, por um processo químico, a calcita, um tipo de cimento natural", afirmou o arquiteto.
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