domingo, 24 de maio de 2009

Descoberto por astecas, chiclete foi 'mau hábito' por séculos

Um dos doces preferidos das crianças de hoje era também uma das diversões mais comuns das crianças astecas dos séculos XIV a XVI. Mascar chicletes é um hábito antigo que, por muitos anos, envolveu um código rígido de conduta. A arqueóloga Jennifer Mathew, em seu recém-lançado livro "Chicle: The Chewing Gum of the Americas" ("Chiclete, a goma de mascar das Américas", inédito em português), mostra curiosidades dessa história e traça todo o percurso da substância que não acaba na boca. Aparentemente descoberto pelos astecas e pelos maias, o chiclete pode ter origens ainda mais antigas. "Os exemplos mais remotos que temos da goma vêm da Mesopotâmia, começando no ano 9 mil AC. Encontramos resíduos de chiclete de bétula (feito de resina da planta ornamental) em dentes de adolescentes da época”, afirmou Jennifer, em entrevista a imprensa. Os astecas mantinham uma disciplina rigorosa no assunto. Segundo Mathews, homens e mulheres casadas que mascavam goma em público eram considerados "repugnantes" - somente mulheres idosas e crianças poderiam fazê-lo. Documentos descrevem prostitutas que podiam ser identificadas pelo seu perfume forte e pelo som de suas bocas mascando chicletes. Homens e mulheres que não cumprissem essas regras eram geralmente taxados de pervertidos. Eles sabiam do uso da goma para limpar os dentes, usavam também para acender fogo, mas simplesmente não queriam que isso fosse feito em público. O hábito continuou com a colonização e, aparentemente, o repúdio também. Em 1898, um jornal britânico noticiou que agentes da saúde estavam alertando contra a "goma de mascar americana" pela sua suposta periculosidade. Anos depois, o revolucionário bolchevique Leon Trotsky disse que mascar chiclete era uma forma de o capitalismo fazer com que o homem trabalhasse sem pensar muito: "parece um ato religioso, como alguma reza para o Deus-Capital". (Foto a esquerda: Réplica de um manuscrito de 1590 mostra 'mascador de chicletes' asteca)

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