A crise vivida pelo Senado Federal depois da revelação de episódios que indicavam gastos excessivos e injustificáveis ganhou novas dimensões quando a sociedade tomou conhecimento de que o presidente José Sarney solicitou que todos os diretores deixassem seus cargos na Casa. Uma casa legislativa que abriga 81 parlamentares, três por Estado, tem 181 diretores! Não eram 136, como inicialmente se pensava, já um exagero. O número é maior e cada vez mais inacreditável. É mais que um diretor e meio por senador. Com esse exército de diretores, o Senado da República deve ser o recordista nacional em número desses cargos de comando, incluindo aí empresas públicas e organizações privadas. A maior empresa pública brasileira, a Petrobras, tem seis diretores. E a Vale, a maior entre as privadas, sete. Há um evidente e escandaloso gigantismo na estrutura do Senado, que hoje abriga quase 10 mil servidores entre concursados, comissionados e terceirizados. Destes, há quatro centenas de funcionários graduados que ganham mais que os R$ 16,5 mil pagos aos próprios senadores. O mais incrível é que o Senado, com seus milhares de funcionários, ainda consegue pagar horas extras para muitos deles num mês em que a Casa estava em recesso. Tudo isso explica e justifica o sentimento de espanto com que a sociedade, calejada de tantos escândalos, recebe mais essas informações aberrantes. Evidentemente a reação correta frente às denúncias não pode ser a do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), 1º secretário da mesa do Senado, que em conversa informal com jornalistas viu nelas, e em seu aprofundamento, uma ameaça à própria instituição parlamentar. O caminho adequado é, sim, o que está sendo aberto pelo presidente Sarney: o de contratar a Fundação Getúlio Vargas para comandar uma ampla reestruturação administrativa com objetivo de reduzir despesas, qualificar os gastos e promover uma modernização da máquina dessa casa parlamentar. Uma estrutura pesada como a do Senado – e possivelmente de outros órgãos ou poderes – não significa eficiência, agilidade ou competência, como o país sabe. A estrutura do tipo paquiderme de alguns órgãos e serviços não importa prejuízo apenas para a conquista de objetivos para os quais são criados. Representa especialmente um peso inaceitável para os contribuintes. É importante, por isso também, que a revisão gerencial que o Senado está entregando à reconhecida qualidade da Fundação Getúlio Vargas se estenda a uma revisão das benesses conferidas aos parlamentares. Além do salário, os senadores têm direito a passagens aéreas, a telefone celular liberado, a correspondência franqueada, a duas dezenas de assessores e a verbas de representação. Isso tudo resulta em despesas para a instituição de R$ 2,8 bilhões anuais. Para o resgate da credibilidade da classe política, para a recuperação da imagem do Congresso e para atenuar a compreensível irritação dos contribuintes, o mínimo que se deve esperar é que a tentativa de reestruturar administrativamente o Senado seja bem-sucedida, que controles sejam implantados e que, transparentemente, a sociedade seja informada. Não se pode admitir que haja surpresas como essa da existência de 181 diretorias. quinta-feira, 19 de março de 2009
Vale a pena ler o editorial do jornal gaúcho 'Zero Hora' sobre o Senado
A crise vivida pelo Senado Federal depois da revelação de episódios que indicavam gastos excessivos e injustificáveis ganhou novas dimensões quando a sociedade tomou conhecimento de que o presidente José Sarney solicitou que todos os diretores deixassem seus cargos na Casa. Uma casa legislativa que abriga 81 parlamentares, três por Estado, tem 181 diretores! Não eram 136, como inicialmente se pensava, já um exagero. O número é maior e cada vez mais inacreditável. É mais que um diretor e meio por senador. Com esse exército de diretores, o Senado da República deve ser o recordista nacional em número desses cargos de comando, incluindo aí empresas públicas e organizações privadas. A maior empresa pública brasileira, a Petrobras, tem seis diretores. E a Vale, a maior entre as privadas, sete. Há um evidente e escandaloso gigantismo na estrutura do Senado, que hoje abriga quase 10 mil servidores entre concursados, comissionados e terceirizados. Destes, há quatro centenas de funcionários graduados que ganham mais que os R$ 16,5 mil pagos aos próprios senadores. O mais incrível é que o Senado, com seus milhares de funcionários, ainda consegue pagar horas extras para muitos deles num mês em que a Casa estava em recesso. Tudo isso explica e justifica o sentimento de espanto com que a sociedade, calejada de tantos escândalos, recebe mais essas informações aberrantes. Evidentemente a reação correta frente às denúncias não pode ser a do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), 1º secretário da mesa do Senado, que em conversa informal com jornalistas viu nelas, e em seu aprofundamento, uma ameaça à própria instituição parlamentar. O caminho adequado é, sim, o que está sendo aberto pelo presidente Sarney: o de contratar a Fundação Getúlio Vargas para comandar uma ampla reestruturação administrativa com objetivo de reduzir despesas, qualificar os gastos e promover uma modernização da máquina dessa casa parlamentar. Uma estrutura pesada como a do Senado – e possivelmente de outros órgãos ou poderes – não significa eficiência, agilidade ou competência, como o país sabe. A estrutura do tipo paquiderme de alguns órgãos e serviços não importa prejuízo apenas para a conquista de objetivos para os quais são criados. Representa especialmente um peso inaceitável para os contribuintes. É importante, por isso também, que a revisão gerencial que o Senado está entregando à reconhecida qualidade da Fundação Getúlio Vargas se estenda a uma revisão das benesses conferidas aos parlamentares. Além do salário, os senadores têm direito a passagens aéreas, a telefone celular liberado, a correspondência franqueada, a duas dezenas de assessores e a verbas de representação. Isso tudo resulta em despesas para a instituição de R$ 2,8 bilhões anuais. Para o resgate da credibilidade da classe política, para a recuperação da imagem do Congresso e para atenuar a compreensível irritação dos contribuintes, o mínimo que se deve esperar é que a tentativa de reestruturar administrativamente o Senado seja bem-sucedida, que controles sejam implantados e que, transparentemente, a sociedade seja informada. Não se pode admitir que haja surpresas como essa da existência de 181 diretorias.
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