quinta-feira, 5 de março de 2009

Italiano usa o mesmo tratamento dado a queijos e "enterra" sapatos

No país da moda, não basta apenas o luxo, tem que existir o exagero. Fugindo da "mesmice” do sapato feito à mão pelos melhores artesãos, com o melhor couro, Silvano Lattanzi, literalmente, foi fundo. Os melhores sapatos masculinos produzidos pela indústria do italiano passam cerca de seis meses embaixo da terra, envelhecendo. “O tratamento é diferente dos outros. A umidade e a acidez da terra modificam o produto. Então esse sapato se torna especial, cada um fica diferente”, explica o criador em seu estande na Micam, a maior feira de calçados do mundo, que vai até sábado em Milão, na Itália. Os sapatos de “Fossa”, como são chamados, são enterrados já prontos, no jardim do laboratório de Latanzi. A técnica, segundo ele, é a mesma usada para preservar um tipo de queijo italiano. No país das vacas sagradas, couro é produto de exportação. Os buracos onde os sapatos são enterrados têm cerca de três metros de profundidade, cobertos por vidro à prova de balas, por meio do qual o sapateiro pode observar a evolução do envelhecimento. Dentro dos buracos, a temperatura é de 20 graus, e a umidade fica entre 80% e 90%. Os sapatos são embalados e cobertos com flores e outras ervas perfumadas. O “enterro” e a “exumação” dos calçados são acompanhados por um oficial de cartório, que atesta a permanência do produto embaixo da terra. Da fábrica de Lattanzi, que existe desde 1971, saem apenas 3 mil pares de sapatos por ano. Com tanta dedicação, claro, o preço vai parar nas alturas. “Só posso dizer que é muito caro”, diz ele.

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