segunda-feira, 16 de março de 2009

Celular na sala de aula: 'Você ainda vai usar um'


Durante uma daquelas cansativas aulas sobre química orgânica, o celular dispara um alerta sonoro muito conhecido entre os jovens. Chegou mensagem de texto. O professor olha aborrecido para o dono do aparelho e pede que ele o desligue imediatamente. O estudante ainda tenta ler as letras que aparecem na pequena tela, mas é novamente censurado pelo professor: não há nada que incomode mais o mestre do que celular em sala de aula. Essa pode ser uma cena muito comum na maior parte das escolas e universidades brasileiras, onde o uso do aparelho celular é proibido durante as aulas. Mas a imagem vai mudar. A exemplo do que estudantes americanos e britânicos já fazem, os brasileiros vão manter seus telefones ligados para participar de aulas interativas, em que caderno e caneta cederão lugar a um ambiente virtual totalmente conectado ao dispositivo que os alunos terão em mãos. A mudança é certa; o prazo, porém, indefinido. M-learning, ou mobile-learning, é o termo em inglês que define as modalidades que utilizam os dispositivos móveis, como o celular, aplicados na educação. Nos Estados Unidos, por exemplo, desde o ano de 2000, alunos de diversas escolas das cidades de Austin, Chicago e Boston têm aulas de biologia, matemática, química, ciências e estatística com seus celulares em punho. São as chamadas "simulações participativas", em que os estudantes recebem um conteúdo do professor via celular e passam a interagir com ele, enviando em seguida suas intervenções aos colegas. Aprender a qualquer hora e em qualquer lugar. Essa é outra aposta dos entusiastas do m-learning, que querem levar a experiência para fora da escola. É o que já acontece na Grã-Bretanha: durante visitas a museus e galerias, mais de 30.000 estudantes recebem em seus telefones móveis informações em texto, áudio e vídeo sobre as peças expostas nos locais e, em seguida, escolhem as informações que mais lhes interessam e as trocam com os colegas. A ferramenta é chamada OOKL e foi desenvolvida por uma parceria entre a empresa de tecnologia SEA e a Universidade de Nottingham. "É como se o estudante carregasse uma enciclopédia digital em seu bolso, com câmera, gravador e caneta, tudo em um mesmo dispositivo", afirma Dan Phillips, co-diretor da empresa idealizadora do projeto.

Nenhum comentário: