A viagem a Mumbai, na Índia, em maio desse ano, que tinha o objetivo de prospectar uma parceria com a grife indiana Catwalk, se transformou numa desagradável surpresa para Hugo Cassel, executivo de exportação da Schutz (Campo Bom/RS). Os calçados de alto valor agregado a preços de cerca de US$ 7 chamaram atenção do empresário que, após uma visita a unidade produtiva da empresa indiana, elaborou um relatório confidencial da viagem, que acabou vazando na internet. O objetivo, segundo Cassel, foi justificar para a diretoria a impossibilidade da parceria. “Os funcionários da empresa trabalham praticamente por comida, vivem dentro das fábricas, cozinham lá mesmo, durante o trabalho, têm as roupas penduradas lá também e à noite puxam uns colchões e dormem ali mesmo, para no outro dia acordarem e começarem a produção novamente. Trabalham em torno de 16 a 17 horas por dia. E esta é a vida deles, praticamente um trabalho escravo’’, relata o documento. A violência contra os direitos humanos, retratada em fotos, não atende os requisitos mínimos previstos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Cassel, em entrevista exclusiva para o jornal Exclusivo, conta que o que mais o chocou na visita foi a forma como eram tratadas as pessoas. “A fábrica tinha um aspecto sinistro mesmo. Era um prédio muito pequeno, onde os funcionários trabalhavam enrolados em toalhas, uns sobre os outros para aproveitar o máximo de espaço’’, relata. Segundo ele, quando perguntado o salário que recebiam os trabalhadores, o diretor sorriu e confidenciou com naturalidade que era um custo “irrisório”. “Ele parecia ter orgulho de tudo aquilo, o grande trunfo era mostrar que o sapato deles era de extrema qualidade e tinha um preço muito baixo e por isso não poderiam trabalhar conosco, que vendemos sapatos mais caros”, lembra o executivo. Cassel ressalta que não se viam máquinas na fábrica. “Quando perguntei para o diretor (que prefere não revelar o nome) onde estava o setor de corte, ele me apontou um rapaz com uma tesoura na mão sentado no chão em condições precárias”, conta. NÃO DEIXE DE CLICAR ATÉ O FIM! VEJA O ABSURDO A QUE O QUE O SER HUMANO É SUBMETIDO! EM NOME DO LUCRO POR UM LADO E DA SOBREVIVÊNCIA, PELO OUTRO!
Pitaco:
Sou do ramo e me senti no dever de dar amplitude ao assunto. Na Feira passada (FRANCAL/2008) um expositor estava vendendo calçados a menos de 10 reais importado da Índia.
Um comentário:
Marcondes, isso também acontece aqui no Brasil com bolivianos e peruanos na periferia de São Paulo. Eles trabalham em regime smi-escravo para insdustrias de confeção, normalmente dominada por coreanos e chineses. É muito triste e ninguém faz nada.
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