sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sempre que posso leio e dou um "Ctrl C+ Ctrl V" na cara dura em algum post de CHICO ANÍSIO

É o mesmo Chico que a mídia (leia-se Rede Globo) se esforça para, senão sepultar, pelo menos manter no anonimato.
O Brasil é um país sem memória e sem caráter. Quando eu digo isto é me referindo à desatenção absurda, ao esquecimento ignóbil que é dado a pessoas que foram importantíssimas, dentro das suas atribuições, responsáveis por muitas alegrias do povo. Isto inclui os homens do futebol, como Domingos da Guia, Fausto, Leônidas, Zizinho, Jair da Rosa Pinto, Ademir da Guia, Ipojucan, Jayme de Almeida, Canhoteiro, Dudu, Zito, Coutinho, Pepe…Sobreviveram ao esquecimento os que se dedicaram a ser comentaristas, treinadores ou quase paredros (caso do Zico e do Pelé). O mesmo acontece na dramaturgia. Ninguém mais fala e a juventude ignora quem foram Alda Garrido, Mazzaropi, Procópio Ferreira, Jayme Costa, Dulcina, Cacilda Becker e mesmo Jardel Filho, que chegou a fazer muitas novelas. Dentro de 10 anos ninguém saberá nada a respeito de Paulo Gracindo. Oscarito é o esquecimento que eu considero simplesmente absurdo, porque ele foi a distração maior e praticamente única de duas gerações. No Teatro de Revista – onde em minha opinião – tinha a sua verdadeira praia e reinava absoluto, apesar de concorrentes do tamanho de Walter D’Ávila, Silva Filho, Colé, Mesquitinha e Grande Othelo e no cinema, onde se fez o astro maior do país e suas chanchadas eram sempre estrondosos sucessos. Seus diretores (José Carlos Burle, Watson Macedo e Carlos Manga) sabiam por onde conduzir a história geralmente escrita pelo seu cenógrafo, Cajado Filho, que depois, sem sucesso, tentou a televisão e não deu certo. Música de carnaval que não entrasse no filme da Atlântida estava fora. Oscarito reinou sozinho por duas gerações e, depois, dividiu este reinado com Zé Trindade – outro esquecido, porque se além do cinema, Oscarito brilhava no Teatro de Revista, Zé Trindade arrasava no rádio. Os dois tinham semelhanças, embora fossem muito diferentes, no todo. A maior semelhança era a hipocondria, onde Oscarito era rei.
Todas as noites, após a função no Teatro Recreio, parava na Farmácia Santa Clara – próxima ao seu apartamento – e conversava com o Walter, dono da farmácia e muito meu amigo:
- Temos alguma novidade aí ?
Walter olhava as prateleiras e dizia:
- Temos estes dois aqui para o rim, um para o duodeno, este para enxaqueca, este para o fígado…
E Oscarito, reinando na hipocondria:
- Me separa um de cada para eu provar.
Disso, ninguém ria.

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