Afegã mutilada pelo marido posa com prótese e sorri
Em agosto, a revista Time publicou uma das capas mais ousadas de sua história. Mostrava a bela jovem Bibi Aisha, de 18 anos, mutilada por seu marido, um talibã “ofendido em sua honra”, no Afeganistão. A visão do rosto jovem desfigurado causava um misto de repulsa e pena, mas era sem dúvida uma denúncia poderosa das condições terríveis a que mulheres podem ser submetidas no regime talibã. Aisha conta que, aos 12 anos, foi entregue ao pai do marido e aos seus dez irmãos e se tornou prisioneira deles por dois anos. Ela diz que os homens eram membros do Talibã na província de Uruzgan, no sul do Afeganistão. Ao tentar fugir, foi pega pela polícia em Kandahar e teve que voltar para casa. Por causa da fuga, Aisha foi acusada de desonrar e envergonhar a família do marido e, julgada pela justiça do Talibã, foi condenada à mutilação. Em entrevista à rede de TV americana CNN, Aisha descreveu o seu sofrimento. “Quando eles cortaram meu nariz e minhas orelhas, eu desmaiei”, disse Aisha. “Senti como se houvesse água fria em nariz. Eu abri os olhos e nem pude ver por causa de todo o sangue”. Aisha foi abandonada na montanha. Achavam que ela morreria. Mas ela conseguiu, apesar de terrivelmente ferida, chegar à casa de seu avô. E foi tratada durante dez semanas num posto médico administrado por americanos. Transportada para um refúgio secreto em Cabul, capital do Afeganistão, foi levada enfim para os Estados Unidos, abrigada por uma família americana. Essa semana ela enfrentou as câmeras usando uma prótese que dá uma idéia de como ficará sua aparência após as cirurgias reparadoras. Segundo o Dr Peter Grossman, da Fundação Grossman Burn, que ira realizar o tratamento, seu nariz e suas orelhas serão reconstituídas com osso, pele e cartilagem extraídos de outras partes de seu próprio corpo.
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